Fizemos uma viagem de 4 dias pela Chapada dos Guimarães, entre cachoeiras, mirantes, cavernas e paredões de arenito. Neste post está o roteiro completo dia a dia, com distância, dificuldade e duração de cada trilha, indicação de guias e hospedagens e outras atividades para completar a viagem.
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SOBRE A CHAPADA DOS GUIMARÃES
Chapada dos Guimarães fica a cerca de 60 km de Cuiabá, no ponto onde o Planalto Central termina e a planície pantaneira começa.
A cidade está a 793 metros de altitude, e é justamente essa borda de planalto que cria os paredões de arenito avermelhado que definem a paisagem da região.
O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães tem cerca de 33 mil hectares e reúne boa parte das cachoeiras, cânions, cavernas e sítios arqueológicos, com registros de pinturas rupestres e fósseis.
Na prática, o destino se divide em dois tipos de atrativo: os que ficam dentro do Parque Nacional, de acesso gratuito mas com regras de horário e, em alguns casos, guia obrigatório; e os que ficam em fazendas particulares no entorno, como a Fazenda Água Fria (Caverna Aroe Jari) e a Fazenda Buriti (Águas do Cerrado), onde a visita é sempre paga e guiada.

COMO CHEGAR E QUANDO IR
De Cuiabá, são cerca de 60 a 65 km até a cidade de Chapada dos Guimarães pela rodovia MT-251 (Emanuel Pinheiro), toda asfaltada e em boas condições, cerca de 1 hora a 1h15 de viagem.
A partir da cidade, cada atrativo tem sua própria distância adicional, que detalho no roteiro abaixo.
A região tem duas estações bem marcadas: seca (abril a setembro) e chuvosa (outubro a março). Explico por que isso importa na prática: no período chuvoso, os córregos ficam mais turvos e mais fortes, com risco de tromba d’água nas cachoeiras e com os acessos em estrada de chão mais dificultados.
No período seco, as cachoeiras ficam mais convidativas e as trilhas mais seguras, embora também seja uma época de possivel neblina.
Nossa viagem foi no mês de Junho e pegamos dias com muita neblina pela manhã mas com sol durante o dia.
ONDE FICAR HOSPEDADO
Ficamos hospedados na Pousada Manga Rosa que fica a uns 5 minutinhos de carro do centro da Chapada. Um lugar super tranquilo e confortável com um excelente café da manhã.
Outras opções de hospedagem também bem avaliadas são a Pousada Garden das Flores(com café da manhã) e a Sossego Homestay (mais barata mas sem café da manhã).
CLIMA NA CHAPADA DOS GUIMARÃES
Aqui está o gráfico do clima na região da Chapada dos Guimarães mês a mês.

ROTEIRO PELA CHAPADA DOS GUIMARÃES
Abaixo o nosso roteiro detalhado pela Chapada dos Guimarães incluindo indicação de guia de orientação sobre cada atividade.
CIRCUITO DE CACHOEIRAS + MIRANTE VÉU DE NOIVA (DIA 1)
A entrada do Parque Nacional fica a cerca de 11 a 12 km da cidade (uns 20 minutos de carro).
O primeiro ponto é o mirante da Cachoeira Véu de Noiva, com 86 metros de queda, cartão-postal da Chapada. É trilha autoguiada, plana, sem necessidade de guia nem agendamento: cerca de 550 metros até o mirante (1,1 km ida e volta), nível fácil e entrada gratuita, aberta das 9h às 16h.
A Cachoeira é linda mas fica ainda mais bonita na parte da tarde quando o sol bate direto na cachoeira. Por ali também é possível observar as araras vermelhas cruzando o vale. Fazendo silêncio e com um pouco de paciência e sorte você ainda pode vê-las pousar em uma das árvores próximas ao mirante.

Na sequência vem o Circuito de Cachoeiras propriamente dito, também chamado de Caminho das Águas. Também com acesso gratuito e sem necessidade de guia mas com horário de entrada é restrito até o meio dia.
O percurso gira em torno de 6 ida e volta, dependendo de quantas cachoeiras que parar, com nível leve a moderado (alguns degraus pelo caminho). Passa por cachoeiras como Pulo, Degraus, Prainha, Andorinhas e Sete de Setembro, todas com banho liberado e rasas o sufiente pra quem não sabe nadar.
Nós fizemos toda a trilha e cachoeiras em 4 horas e foi um tempo suficiente pra curtir tudo com calma.
Dica de viajante: a trilha do circuito é praticamente sem sombra. Leve boné, protetor solar e bastante água (além de repelente).

CAVERNA AROE JARI/EIARI (DIA 2)
A Caverna Aroe Jari (ou Aroe Eiari) fica na Fazenda Água Fria, cerca 40 km da cidade (uns 40 minutos de carro). É a maior caverna de arenito do Brasil, com cerca de 1.550 metros de extensão, e o nome, de origem Bororo, significa “Morada das Almas”.
A trilha passa pela Ponte de Pedra (mirante), pelas cavernas Aroe Jari/Eiari, Kiogo Brado e Pobe Jari, e pela Gruta da Lagoa Azul.
As cavernas impressionam pela sua extensão, sendo que na época mais seca é possível ir mais pra dentro da Aroe Jari. Por outro lado, de Abril a Junho, na parte da tarde, o sol reflete na Gruta da Lagoa Azul de um jeito que deixa a lagoa lindíssima.
Ou seja, independente da época do ano as cavernas apresentam belezas diferentes.

Além disso, caminhando pelas cavernas, encontramos diferentes formações, paredões e muitos animais (aranhas, morcegos e sapinhos) vivendo na escuridão.
Utilizando o transporte interno da fazenda para fazer parte do percurso, a distância da trilha fica entre 3,5 a 5 km com nível moderado. É considerado um passeio de dia inteiro (entrada até 13h, fazenda fecha às 17h), com almoço regional incluso na maioria dos pacotes.
Aqui o guia é obrigatório e eu indico a Tulasi que nos acompanhou nas atividades guiadas na Chapada.
O valor da atividade (ingresso + transporte interno + almoço) é de R$ 265,00 por pessoa além do valor da contratação do guia que varia dependendo do tamanho do grupo.

CIRCUITO ÁGUAS DO CERRADO (DIA 3)
A Fazenda Buriti fica entre 60 e 70 km da cidade (35 km de asfalto e 35 km de estrada de terra).
O circuito reúne entre 7 e 9 cachoeiras, dependendo do percuro, incluindo o Poço do Amor, um poço em formato de coração com cerca de 1,60 a 1,80 m de profundidade, além das cachoeiras do Sossego, do Coração, Cambará, Orquídeas, Alma Gêmea, Pedra Encantada e do Mistério.
O percurso total é de 8 km ida e volta, terreno predominantemente plano, nível fácil/moderado, com possibilidade de reduzir para cerca de 3 km usando transporte interno da fazenda em parte do trajeto.
Algumas cachoeiras são mais bonitas pra foto (como a Alma Gêmea) outras pra banho (Pedra Encantada e Orquídea) além de várias quedinhas d’água pra se refrescar.
A contratação de guia aqui também é obrigatória e depois da trilha tem almoço incluso na fazenda. O valor do ingresso + almoço é de R$ 180,00 por pessoa.

CIDADE DE PEDRA + RIO CLARO (DIA 4)
Esse passeio só pode ser feito com guia e carro 4×4, já que o acesso final é por estrada de areia fofa.
A primeira parada é na Cidade de Pedra que fica entre 25 e 30 km da cidade, no topo dos paredões do Parque Nacional, com formações de arenito que lembram ruínas de uma cidade antiga e penhascos de mais de 300 metros de altura.
A caminhada até os mirantes é curta, no máximo 2 km ida e volta, nível fácil, terreno praticamente plano.
É um lugar com uma vista incrível do vale, das formações da Chapada e, num dia de sol e céu limpo, até mesmo de Cuiabá e da planície pantaneira.
Depois seguimos para o Vale do Rio Claro que fica na parte baixa do parque e reúne pontos como a Crista de Galo (mirante de 360°), o Poço das Antas e o Poço Verde, onde é possível fazer flutuação com máscara e snorkel em um trecho de pouco mais de 1 km rio abaixo.
A caminhada aqui é mínima, menos de 1 km no total, já que o carro leva bem próximo dos pontos de banho. Combinando os dois atrativos, o passeio costuma ocupar o dia inteiro.
Aqui, além da contratação do carro, também é obrigatório a contratação de guia.

ONDE ASSISTIR AO PÔR DO SOL
Mirante Alto do Céu
Fica na Fazenda Alto do Céu, a uns 15 minutos de carro do centro da Chapada dos Guimarães. A parte final do trecho de carro é em estada de terra mas de acesso fácil com estacionamento. O acesso ao mirante é através de passarelas de madeira.
Cobram R$ 50,00 somente para ter acesso ao mirante, mas quem quiser sentar nas mesas precisa pagar algo adicional. Tem um pequeno bar para consumo de bebidas e alguns petiscos.
O espaço tem uma ‘vibe’ mais balada já que muita gente vai pra assistir o pôr do sol e acaba ficando no espaço.
Morro dos Ventos
Fica dentro de um condominio na borda sul dos paredões (dentro da cidade da Chapada dos Guimarães), o que faz dele a opção mais prática para quem não quer sair de carro por estrada de terra.
É restaurante e mirante ao mesmo tempo, com uma plataforma de aço fixada na borda do paredão, de onde também se avista Cuiabá e a planície pantaneira.
Funciona diariamente, geralmente das 8h às 18h para o mirante, e serve comida típica mato-grossense (galinhada, Maria Isabel, peixe do morro). É uma opção mais estruturada e fácil de combinar com o jantar do que o Alto do Céu.

OUTRAS ATIVIDADES PARA FAZER NA CHAPADA
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- Morro São Jerônimo: ponto mais alto do Parque Nacional, mais de 850 metros de altitude, vista de 360° da planície. Trilha de cerca de 16 a 18 km ida e volta, nível pesado, com uma pequena escalada no trecho final.
- Sesc Salgadeira: complexo às margens da MT-251, entre Cuiabá e Chapada sob gestão do Sesc Mato Grosso. Boa opção para um dia mais tranquilo, com estrutura de lazer, restaurante e cachoeiras.
- Mirante do Centro Geodésico: outro ponto de vista dentro do Parque, gratuito e de acesso rápido. Vale checar a situação de acesso antes de ir, já que alguns relatos indicam interdição temporária por desgaste do solo.
- Cânions do Jamacá: trilha leve, cerca de 2 km ida e volta, com banho nas cachoeiras do Índio, e Jatobá, próxima à cidade e pode ser feito em meio período.
- Cachoeiras do Paraíso: mais um circuito de cachoeiras com 5 quedas d’água no Rio da Casca.
- Boia Cross: Descida de boia pelo Rio Claro com duração entre 3 e 4 horas.
O QUE LEVAR NA VIAGEM
Por ser uma viagem de ecoturismo é fundamental saber escolher o que vai levar na mala pra não levar coisas demais mas também pra não deixar faltar nada importante.
Por isso, aqui vai uma lista de itens indispensáveis e outra de coisas que valem a pena levar.
ITENS INDISPENSÁVEIS PARA A VIAGEM
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- Protetor Solar
- Repelente
- Tênis de trilha (sola dura e impermeável)
- Sapatilha para água (pedras em algumas cachoeiras)
- Boné / Chapéu
- Óculos de Sol
- Câmera de ação ou case a prova d’água para o celular
- Toalha (ideal de microfibra)
ITENS QUE VALEM A PENA LEVAR
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- Camelbak (mochila de hidratação): prática para inserir na mochila e reduz volume com garrafas
- Mochila (com capa ou impermeável)
- Saco estanque: bom pra carregar itens secos durante a parte das flutuações
- Powerbank
- Barra de cereal/proteína
- Bastão de trekking: pra quem tem leve restrição para longas caminhadas, subidas e descidas

QUANTO CUSTOU A VIAGEM
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- Passeio Cavernas Aroe Jari: R$ 265,00 por pessoa (entrada + almoço) + R$ 130,00 guia obrigatório em grupo compartilhado;
- Passeio Águas do Cerrado: R$ 180,00 por pessoa (entrada + almoço) + R$ 130,00 guia obrigatório em grupo compartilhado;
- Passeio Cidade de Pedra e Rio Claro: R$ 1000,00 carro 4×4 com motorista + guia para 2 pessoas;
- Circuito de Cachoeiras + Véu de Noiva: gratuito e sem necessidade de guia;
- Mirante Morro dos Ventos: R$ 60,00 por carro ou R$ 25,00 por pessoa;
- Mirante Altos do Céu: R$ 50,00 por pessoa somente pra acessar o mirante (pra sentar tem que pagar extra);
- Hospedagem na Pousada Manga Rosa: R$ Diária por R$ 400,00 com café da manhã pro casal;
INDICAÇÃO DA AGÊNCIA CNP TURISMO
Nós fizemos essa nossa viagem pela Chapada dos Guimarães por conta própria porém dá pra organizar o roteiro com uma agência, combinando inclusive outros destinos no Mato Grosso.
Nós indicamos a CNP Turismo e Expedições, com quem a gente fez o roteiro por Barra do Garças e Serra do Roncador também no Mato Grosso.
Eles resolvem toda a logística: transporte, guias credenciados para cada atrativo (obrigatórios na maioria dos pontos deste roteiro) e reserva antecipada, essencial em passeios como o Circuito de Cachoeiras e a Caverna Aroe Jari, que têm horário de entrada restrito.
Lembrando que os leitores do Mapa de Viajante tem desconto no roteiro para Barra do Garças. Então entre em contato com a CNP Turismo por esse link, mencione que veio do MAPA DE VIAJANTE e peça seu orçamento!

