Fizemos o Pantanal Norte no Mato Grosso por conta própria, incluindo a estrada Transpantaneira e Safari de barco para ver a onça pintada. Neste post está o roteiro completo, dia a dia, com as condições reais da estrada, onde ficar hospedado, quanto custa e o que fazer para ver a onça-pintada de perto.
Explore o Conteúdo
Sobre o Pantanal no Mato Grosso
O Pantanal Norte, no Mato Grosso, é a porta de entrada mais confiável do mundo para ver onça-pintada em vida livre. Não é a toa que é um dos destinos mais procurados por pessoas do mundo inteiro para avistamento do ‘jaguar’ brasileiro.
A região de Porto Jofre, no fim da estrada Transpantaneira, concentra a maior densidade de onças-pintadas do planeta. Isso acontece porque a área entre os rios Cuiabá, Piquiri e Três Irmãos forma o Parque Estadual Encontro das Águas, um refúgio natural para o felino.
Por que isso importa na prática: diferente de um safári africano, aqui o avistamento é feito de barco pelos rios e curixos, navegando pelas margens dos rios, com uma taxa de sucesso altíssima na época seca.
O diferencial do Pantanal Mato-grossense em relação ao Pantanal Sul (Mato Grosso do Sul) é justamente esse: aqui o produto principal é a onça. No Sul, a experiência é mais variada, com cavalgadas, fazendas e proximidade com Bonito por exemplo.
Se seu objetivo é ver onça-pintada e fazer isso com o mínimo de incerteza possível, o roteiro é sempre o mesmo: Cuiabá, Poconé, Transpantaneira e Porto Jofre.

A estrada Transpantaneira
A Transpantaneira (rodovia MT-060) liga Poconé a Porto Jofre em cerca de 145 km de estrada de terra, cruzando mais de 120 pontes de madeira e concreto.
O projeto original previa uma extensão de quase 400 km até Corumbá, no Mato Grosso do Sul, mas a obra parou em Porto Jofre, às margens do rio Cuiabá. Na prática, isso significa que Porto Jofre é o fim da linha: não há continuidade rodoviária para o Sul do Pantanal a partir dali.

Como chegar: Transfer, Carro de passeio ou 4×4
Antes de decidir como chegar até Poconé e Porto Jofre, vale entender as três opções disponíveis: transfer contratado, carro de passeio 1.0 ou carro 4×4 alugado
A escolha certa depende da época do ano e do quanto você quer parar pelo caminho.
-
- Transfer: opção mais simples, geralmente contratado direto com a pousada de Porto Jofre. Você não dirige, não se preocupa com pneu furado ou ponte danificada, mas perde a liberdade de parar quando quiser para fotografar um animal na beira da estrada, principalmente se for compartilhado. Também é a opção mais cara.
- Carro de passeio 1.0: é possível atravessar a Transpantaneira com um carro 1.0 na época seca, entre junho e outubro. O trajeto funciona, a estrada é toda de terra mas dá pra percorrer sem grandes surpresas. Os últimos quilometros já em Porto Jofre são os piores, com muitos buracos.
- Carro 4×4: não é obrigatório na seca, mas é a opção mais segura e confortável, principalmente depois do km 80 da estrada, onde ficam as piores pontes. Na época de chuva, entre novembro e março, o 4×4 deixa de ser opcional: alguns trechos alagam e ficam intransitáveis até para veículos com tração nas quatro rodas.
Na nossa viagem em Junho, época seca, fomos de carro alugado 1.0 e o trajeto foi tranquilo. Entretanto, ao chegar em Porto Jofre, pegamos um caminho errado a estrada com muita lama e acabamos atolando o carro. Por isso é preciso ter muita atenção nas condições das estrada, principalmente se choveu no dia anterior.
Se a viagem cair na época de chuva, ou se você não tiver experiência dirigindo em estrada de terra, o transfer contratado com a pousada é a opção mais segura para chegar até Porto Jofre.
Dica de viajante: se optar por carro próprio ou alugado, prefira um modelo com maior altura do solo, mesmo que não seja 4×4. Isso reduz o risco de raspar em buracos e facilita a travessia das pontes.

Melhor época para visitar o Pantanal
A época seca, entre julho e outubro, é a melhor janela para visitar o Pantanal Norte. Com o nível dos rios mais baixo e poucas chuvas, os animais se concentram nas margens e nos poços d’água, o que aumenta muito a chance de avistar onças, jacarés, capivaras e aves como tuiuiú e araras.
É também o período com menos chuva, céu mais aberto e estrada em melhores condições para dirigir.
Na prática, agosto e setembro são os meses de pico de procura, com preços mais altos e pousadas lotadas com bastante antecedência. Outubro ainda entrega boa observação de vida selvagem com um pouco menos de gente.
Fora da seca, entre novembro e abril, o Pantanal entra no período de cheia. Os rios sobem, partes da Transpantaneira podem ficar comprometidas com alagamentos e o acesso a Porto Jofre com carro comum fica mais arriscado ou até inviável em alguns trechos.
Ainda é possível ver onça mesmo assim, mas a taxa de sucesso cai em relação à seca.
Dica de viajante: se o foco da viagem é a onça-pintada, feche a viagem entre junho e outubro. Fora dessa janela, vale confirmar as condições da estrada com a pousada antes de sair de carro.

Onde se hospedar
Antes de escolher pousada, vale entender a geografia da viagem, porque ela define totalmente sua logística. São quatro pontos possíveis de base: Cuiabá, Poconé, as fazendas ao longo da Transpantaneira e Porto Jofre.
-
- Cuiabá: capital do estado, com aeroporto, melhor estrutura de hotéis e restaurantes. Faz sentido só como pouso na chegada ou na saída do voo, já que fica a cerca de 100 km do início da Transpantaneira e a 250 km de Porto Jofre.
- Poconé: último município antes da Transpantaneira, com posto de combustível, mercado e opções simples de hospedagem. É a melhor base para dividir a viagem em duas etapas e não encarar Cuiabá-Porto Jofre em um dia só.
- Fazendas na Transpantaneira: pousadas no meio do trajeto, geralmente entre o km 30 e o km 80 da estrada. Fazem sentido para quem quer esticar o roteiro e ter mais dias de observação de fauna sem chegar até Porto Jofre.
- Porto Jofre: fim da estrada, às margens do rio Cuiabá. É a base obrigatória para quem quer priorizar o safári de onça, já que os barcos saem direto de lá.
Na nossa viagem, ficamos 1 noite em Poconé e 3 noites em Porto Jofre. Sair de Cuiabá direto para Porto Jofre significa emendar estrada asfaltada com quase 150 km de terra no mesmo dia, o que cansa e reduz o tempo de observação de animais no trajeto. Dormindo em Poconé, você começa a Transpantaneira descansado e com o dia inteiro pela frente para ir parando.
Em Porto Jofre, evite pesquisar as hospedagens em sites como Booking e Hoteis.com já que a maioria não está nessas plataformas.
O que importa de verdade é a localização: quanto mais perto de Porto Jofre, maior o preço da diária e mais imersa fica a experiência com o rio e a fauna. Quanto mais perto de Poconé, mais barato, mas com passeios de barco mais distantes.
Em Poconé nós ficamos hospeadados na Pousada Safari do Jaguar e em Porto Jofre ficamos na South Wild Porto Jofre.
Por se tratar de um lugar remoto sem comércio local, todas as hospedagens em Porto Jofre incluir pensão completa nas suas diárias e também oferecem seus próprios passeios de barco para o safari.
Já na Transpantaneira existem pousadas e lodges pra quem quer ficar mais próximo de Porto Jofre com uma estrutura melhor. A Pousada Rio Claro tem melhor custo benefício e a Aymara Lodge melhor estrutura e avaliação.

Estrutura de pousada em Porto Jofre
A estrutura da pousada que ficamos é bem simples, quartos modestos com ar condicionado e chuveiro elétrico. Mas que nos atendeu bem pelos 3 dias que ficamos. A comida era bem preparada e bem servida em todas as refeições, com diversas opções de carnes e acompanhamentos para todos os gostos.
O atendimento também foi um diferencia na pousada, resolvendo todos os pequenos problemas atendendo as nossas vontades. Esse é o padrão em Porto Jofre: pousadas simples nas margens do rio com um serviço modesto mas efetivo.
Existem algumas opções mais novas e luxuosas mas o preço da diária é bem mais alto.
Outra opção de hospedagem são os barcos/cruzeiros. Alguns ficam atracados nas margens dos rios e outros percorrem o rio para facilitar o avistamento das onças. Porém muitos desses barcos também tem foco na pescaria. Portanto antes de reservar confirme se o barco tem foco em safari de onça ou pescaria.
Dica de viajante: se o orçamento for apertado, considere ficar em uma fazenda no meio da Transpantaneira e contratar o safári de barco como day trip até Porto Jofre. Se a prioridade é maximizar o tempo de barco atrás da onça, fique hospedado direto em Porto Jofre.
Quanto custa viajar para o Pantanal
Os valores abaixo são estimativas com base na nossa viagem e servem como referência de planejamento, não como cotação fechada.
O preço varia bastante conforme a pousada, a época do ano e se você fecha pacote fechado ou monta a viagem avulsa. Antes de reservar, confirme sempre o valor atualizado.
| Item | Faixa de preço estimada |
|---|---|
| Aluguel de carro 1.0 (diária) | R$ 120,00 |
| Combustível Cuiabá / Porto Jofre (ida e volta) | R$ 200,00 |
| Hospedagem em Poconé (1 noite, casal, com café) | R$ 400,00 |
| Hospedagem em Porto Jofre (pensão completa, por casal/diária) | R$ 1800,00 |
| Safári de barco privativo dia inteiro (por barco) | R$ 2300,00 |
| Refeição em Poconé | R$ 50,00 a 100,00 |
Ou seja: para um casal fazendo o mesmo roteiro que fizemos (1 noite em Poconé + 3 noites em Porto Jofre com pensão completa e safári incluído no pacote), o orçamento fica concentrado quase todo na hospedagem de Porto Jofre. O trecho de Poconé e o deslocamento de carro pesam pouco no total.
Não é uma viagem barata, até por isso 99% dos turistas em Porto Jofre são gringos. Mas sem dúvida é uma experiência que vale a pena o investimento.
Roteiro completo dia a dia
Nosso roteiro teve 5 dias no total (considerando o dia de chegada em Cuiabá): 1 noite em Poconé, 1 dia inteiro de deslocamento pela Transpantaneira e 3 noites em Porto Jofre, com 2 dias completos de safári de barco.
Cuiabá a Poconé (Dia 1)
Poconé fica a cerca de 100 km de Cuiabá, por estrada asfaltada (BR-070), um trajeto de aproximadamente 1h15. Chegamos no fim da tarde, jantamos e dormimos por lá para começar a Transpantaneira com o dia inteiro pela frente no dia seguinte.
Ao lado da Pousada Safari do Jaguar tem a Pizzaria Pantaneira / Ecobosque com opção de lanches e pizzas. Na praça central da cidade também tem restaurantes por quilo para quem está de passagem.
Dica de viajante: abasteça o carro em Poconé antes de seguir viagem. É o último posto de combustível até Porto Jofre, e não existe estrutura de borracharia ou mecânica ao longo da Transpantaneira.

Transpantaneira, Poconé e Porto Jofre (Dia 2)
A Transpantaneira tem cerca de 145 km de estrada de terra e cruza mais de 120 pontes de madeira, muitas de mão única. Fora da época de chuva forte, o piso costuma estar em boas condições, mas empoeirado, e com alguns poucos trechos de buracos que exigem atenção, principalmente nas pontes, que têm limite de peso e largura.
Levamos cerca de 6 horas para cruzar o trajeto todo, mas isso inclui várias pa
radas para fotografar jacarés, capivaras, aves e tuiuiús na beira da estrada e ainda paramos pra almoçar.
Apesar de ser um trajeto longo e em estrada de terra, também foi muito divertido. Ver os animais livres na beira da estrada, poder chegar pertinho da maioria deles e com um visual cada vez mais bonito ao se aproximar do fim do dia, foi experiência única!
Dica de viajante: leve água, lanche e o tanque cheio. Faça o trajeto com luz do dia e evite dirigir à noite, tanto pelo risco de atropelar animais quanto pela dificuldade de enxergar buracos e pontes danificadas.

Safári de barco em Porto Jofre (Dias 3 e 4)
Com base fixa em Porto Jofre, os dois dias seguintes foram dedicados ao safári fluvial nos rios Cuiabá, Piquiri e no braço do rio São Lourenço, dentro da área do Parque Estadual Encontro das Águas.
Na prática, o roteiro típico é dividido em duas saídas por dia: uma pela manhã, bem cedinho logo após o café, e outra depois do almoço.
Os passeios da nossa pousada ofereceram a opção de voltar para o restaurante para almoçar, mas também poderiamos ter levado marmita e almoçado no barco. Apesar de economizar cerca de 1h30 de deslocamento de barco (para voltar pra pousada) eu achei que valeu a pena retornar para comer e descansar um pouco, já que no horário do almoço o sol está bem forte e o passeio pode ficar cansativo demais.
Em ambos os dias vimos onça-pintada com facilidade. A dinâmica do passeio é simples: o barco navega devagar pelas margens, os guias trocam informação por rádio sobre avistamentos e o grupo se desloca até o ponto onde a onça foi localizada.

Apesar do safari acontecer do barco, conseguimos chegar muito perto das onças, que estão sempre muito próximas das margens dos rios, seja nadando, caçando ou apenas descansando.
Por isso, é fundamental fazer silêncio para não afugentar ou distrair os animais.
Também vimos outros animais, como cobras, jacarés, ariranhas, capivaras e boa quantidade de aves. Além de ser um passeio com o visual incrível do Pantanal.

O que fazer em Porto Jofre e Poconé
Em Porto Jofre
A atividade principal e obrigatória é o safári de barco para ver a onça-pintada. Existem duas formas de contratar: dentro de um pacote fechado com a pousada, que já inclui as saídas diárias, ou de forma avulsa, negociando diretamente com os barqueiros da região. Na prática, o pacote fechado costuma ser mais simples de organizar, já que resolve hospedagem, alimentação e passeio em um único combinado.
Além do safári, boa parte das pousadas oferece observação de aves no próprio terreno, com comedouros que atraem araras e tucanos, e caminhadas curtas nas trilhas ao redor da hospedagem.
Outra atividade avulsa muito comum é a saída noturna para ver a jaguatirica, o terceiro maior felino selvagem das Américas.
De Março a Outubro a pescaria também é bem forte da região. De novembro a fevereiro a pesca é proibida devido à piracema (reprodução dos peixes).
Porto Jofre não tem nenhuma estrutura de entreternimento (bares, restaurantes, cafés) ou outras atividades de lazer.

Em Poconé e na Transpantaneira
Poconé funciona mais como ponto de apoio logístico do que como destino turístico em si. O que vale a pena fazer por lá é aproveitar o início da Transpantaneira, com o pórtico da estrada como parada obrigatória para foto, e já começar a observação de fauna assim que o asfalto vira estrada de terra.
Algumas fazendas ao longo da Transpantaneira oferecem cavalgada, passeio noturno de jipe para observação de animais e caminhadas guiadas.
Se você tiver mais dias disponíveis, vale considerar uma parada de uma noite no meio do trajeto para incluir essas atividades antes de seguir para Porto Jofre.

Como reservar a viagem com desconto
Fizemos essa viagem por conta própria, dirigindo e organizando toda a logística sozinhos. Mas se você prefere não se preocupar com aluguel de carro, condições da estrada ou reserva de pousada, recomendamos a CNP Turismo e Expedições, agência com sede em Cuiabá e especializada em ecoturismo no Mato Grosso.
Além do Pantanal, a CNP também monta roteiros para Chapada dos Guimarães e Barra do Garças, os outros dois destinos fortes do estado.
Na prática, eles resolvem transporte, hospedagem, guias credenciados e o agendamento dos passeios, o que facilita bastante se você quer combinar mais de um destino do Mato Grosso na mesma viagem.
Entre em contato com a CNP Turismo e diga que veio do MAPADEVIAJANTE para conseguir desconto no seu roteiro.
O que levar na mala para o Pantanal
Não deixe faltar nada de importante na hora de arrumar a sua mala para fazer safari no Pantanal do Mato Grosso. Aqui vai uma lista de itens indispensáveis e outra de coisas que valem a pena levar.
Itens indispensáveis para a viagem
-
- Protetor Solar
- Repelente
- Tênis/calçado confortável
- Calça confortável (bermuda por baixo para tirar durante o safari)
- Boné / Chapéu
- Óculos de Sol
- Casaco corta vento (de manhã é friozinho e o barco é aberto)
- Câmera ou celular
Itens que valem a pena levar
-
- Camelbak (mochila de hidratação): prática para inserir na mochila e reduz volume com garrafas
- Powerbank
- Barra de cereal/proteína
- Toalha (ideal de microfibra)











